segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Respeitinho


Os deputados do PS-Madeira na Assembleia da República fizeram uma triste figura no dia da votação do Orçamento de Estado.
Estes cavalheiros resolveram "marcar uma posição" - defensores, que afirmam ser, do eleitorado que depositou neles o voto - e avisaram de peito feito que não votariam a favor do Orçamento proposto pelo Governo de José Sócrates. Antes, abster-se-iam para que nas discussões na especialidade fosse alterado um ou outro detalhe respeitante às verbas a atribuir à Região Autónoma da Madeira. Uma vez feitas as ditas emendas, votariam então a favor.
Mas esta pujança foi sol de pouca dura.
Nos segundos antes de entrar para o parlamento, José Sócrates, confrontado com esta intenção de voto dos socialistas madeirenses, fez má cara e disse qualquer coisa como "com a disciplina de voto não se brinca, nós levamos isso muito a sério".
Escusado será dizer que os valentões Maximiano Martins, Júlia Caré e Jacinto Serrão meteram o rabinho entre as pernas e foi vê-los todos bem comportados e sentadinhos, a assobiar para o lado, quando o Presidente inquiriu "Quem vota contra? Quem se abstém?"...
Respeitinho é bom, e eu gosto. E o Sócrates nem se fala.
Não deixa de ter graça que este episódio tenha acontecido com quem sempre aponta o dedo acusador à opressão exercida pelo Presidente do Governo Madeirense (e sus muchachos) a tudo e a todos.
Na Madeira vive-se um clima de terror e intimidação permanentes? Não sei, mas parece que no PS nacional sim...
Perderam, portanto, uma grande oportunidade de estar calados.

2 comentários:

Antonio disse...

Eu acho que não é defeito os deputados do partido socialista na AR votarem a favor do orçamento de estado. Não acho isso mal, nem uma traição aos madeirenses nem nada dessas asneiras próprias de quem como diz a sra dona minha avó tem "pensamento curto". Acho que a disciplina partidária é algo que tem que existir.. especialmente no que diz respeito ao orçamento de estado que é seguramente o momento onde toda a politica do governo é colocada em prática, opções são tomadas em deterimento de outras, no fundo é onde se faz politica de facto. A estupidez desta questão reside no facto de passarem para a opinião publica que iriam votar contra e como é obvio quando o engenheiro pinto de sousa ( lindo.. ) lhes caiu em cima.. porem a cabeça debaixo da areia.

Sara Jardim disse...

António, tem paciência mas aí discordo completamente da tua opinião. Se fosse assim, bastava ter um marmanjo de cada partido no parlamento ou na assembleia, e cada um teria o voto corrigido à sua representatividade. Se tens lá 20 ou 30 marmanjos é porque a opinião pessoal de cada um é válida, e não só a do partido, certo?. Irrita-me profundamente essas mentalidades dos rebanhos, se o lider decide para ali, todos os outros se têm q anular. Discordo. Para isso estava lá apenas o líder e poupava-se muito dinheirinho do estado!