Assistiu-se esta quarta feira ao último e moribundo suspiro do estado de direito na Madeira. A palhaçada que se tornou a Assembleia Regional, por mais deprimente que fosse, espelhava alguns princípios democráticos mandatados pelos eleitores madeirenses. Este era de resto o único denominador comum que permitia que, aqueles de nós com dois dedos de testa, ainda reclamassemos algumas semelhanças desta versão beta com o genuíno parlamentarismo representativo. Tristemente mesmo isso já não se verifica nessa república das bananas da qual, neste momento, me envergonho de fazer parte.
Pergunto-me se esta será a altura em que os reticentes acólitos do regime confrontar-se-ão com a monstruosidade política que, se não apoiam descaradamente, de forma silenciosa ajudam a perpetuar. Se não, o que mais será preciso?
Estas imagens dum deputado ratificado, por votos madeirenses tão bons ou tão maus como todos os outros que elegeram os seus pares, ver a sua entrada barrada por “seguranças privados”, ao bom estilo da Blackwater, representam a mais visível pústula do doente status quo. Mas, como sempre, das mais gritantes adversidades nascem verdadeiros campeões. E enquanto um é impedido de exercer o seu mandato o outro está a ser agredido no edifício que deveria ser o templo da democracia representativa. Ambas são atitudes ilegais sendo que a primeira é ainda inconstitucional.
Algo de bom pode sair desta situação. Se o deputado em questão continuar a não poder exercer o seu direito e obrigação o Presidente da República poderá ter bases para destituir a Assembleia da Madeira. Se chegar a isso terei o maior prazer em voar para o Funchal só para poder votar no Partido da Nova Democracia. E até talvez, isso tenho de investigar, o habitual cabeça de lista dos deputados do PSD-M não possa voltar a se candidatar tendo em conta o limite de mandatos. Aí haveriam males que viriam por bem.
"O governador numa região autónoma, deve ser eleito por sufrágio directo e universal, e por maioria absoluta. Um período de 4 anos pode considerar-se razoável. Mas o princípio de não reeleição é útil porque não faz a governação cair numa rotina perniciosa, nem cultivar o gosto ou o vício pelo poder" (Alberto João Jardim, 29-12-74 citado no "Tribunal Livre" Ponta Delgada 1995, pp 88,89)
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Velha e caquéctica democracia
Publicada por lpnascimento em 10:39 PM
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6 comentários:
Caro primo....
É óbvio que concordo contigo, apesar de ser das tais que apoiava o PSD por que a oposição era exactamento toda acarneirada, o que agora não se verifica. O gajo pode ter métodos pouco convencionais, mas o que é facto é que é o único a dizer umas verdade em alta voz, e a arranjar estratagemas inteligentes para pôr a nú as falhas do sistema implementado, e melhor ainda...para com elas ter tempo de antena... Tenho a carteza absoluta que, se assim continuar, o PND será a segunda força política nas próximas eleições.. Porque quem está contra o regime, vai votar nele, e quem votava no PSD pq não havia mais ninguém minimamente válido tb votará (como será o meu caso). O Ismael Fernandes q é meu clega na Direcção do karaté clube da madeira no outro dia estava indignado com as movimentações deste deputado... E a minha resposta para ele foi...desculpa Ismael, mas ele é o único q diz o q todos gostariam de dizer...
Eu, cá por mim, ...tem o meu voto.
Caro Luís Pedro:
Que grande e oportuno post! De resto, devo dizer que conseguiste antecipar-te a minha pessoa pois também eu guardara algumas palavras sobre este tema!
Algumas considerações:
Concorde-se ou não com a atitude do(s) deputado(s) do PND, uma coisa e unânime: ele tem-nos no sitio! Os tipos do PND Madeira são há muito a única oposição ao PSD-M! Em 30 anos de governação, creio que nunca houve tantas dores de cabeça e preocupações com as há neste momento! Porque? Já viram bem quem esta a frente do PND Madeira (não me refiro ao Coelho)? Já viram bem que tipo de apoios tem? Tratam-se de pessoas, na minha opinião, muito bem formadas e, mais importante ainda, não tem nem precisam de ‘tachos’ para nada. Não necessitam do PSD para nada. Nenhum deles esta agarrado a função publica, o que implica que observem o ‘polvo’ de fora.
Voltando ao episódio de ontem, o PND conseguiu mesmo o que queria. Fui apenas eu que reparei que Portugal ‘parou’ para assistir a essa ‘barracada’? Em vez de se falar no rescaldo das eleições nos EUA e de Obama, TODOS os órgãos de comunicação social estavam lá a assistir a essa cena. Lembrei-me de uma jogada de Xadrez em que um simples peão coloca uma armadilha a uma peca mais forte. O PSD caiu na armadilha e colocou o PND ainda mais dentro do mapa político madeirense.
Se voltar a haver eleições, será que o PND perde o seu deputado único ou em vez disso, vamos ver num futuro próximo Baltasar Aguiar, Eduardo Welsh, Gil Canha, etc no parlamento regional?
Penso que vcs estão a se esquecer de uns pormenores importantes:
1)Imunidade não é sinonimo de impunidade
2)Sempre que der na "veneta" de um daqueles loucos, meter-se nu em plena assembleia e desculpem-me o grafismo, masturbar-se para as cameras, aí ficarei ansioso para ver os vossos comentários do género: "ainda bem, este é o único gajo que diz a verdade"; "grande homem, alguém finalmente está a meter a nu o défice democrático".
Aliando este precedente do Deputado Coelho, com tanto apoio na sociedade madeirense, a uma escolha de "timing" mais correcta para a preconização de estes números de circo, digamos por exemplo na aprovação do orçamento regional, ai sim, teremos uma região bloqueada por este tão ilustre democrata, com um "modus operandi" tão secundado por vós.
Grande Manel! Espero que estejas bem!
Pensava eu que este Blog estava morto. Afinal o episódio da bandeira Nazi, pelo menos conseguiu animar este espaço!
Manel, com certeza percebeste que nas primeiras linhas do meu post anterior estava implícito que não concordo com a forma em como foi efectuado o protesto do deputado Coelho (que todos sabemos tem um staff por tras). O que quis dizer, e creio que tens que concordar comigo, é que o acto ilegal de bloquear a sua entrada no parlamento acabou por lhe dar razão quando o deputado se queixa de falta (pouco? ausencia?) de democracia.
Admito que a fraquíssima oposição nas últimas décadas na RAM tenha uma cota parte de responsabilidade no nível político a que hoje assistimos. Mas continuo a achar que este deputado ( e o tal staff) pelo menos são originais e têm causado algumas dores de cabeça à maioria.
Também acho que "a procissão ainda vai no adro".
um grande abraço
Manel,
Maioria não é o mesmo que impunidade.
Não deixo de achar alguma piada em como te ofendes com uma manifestação de mau gosto, subjectiva e acompanhada de julgamentos de valor, mas não com a suspensão da legalidade e constitucionalidade, objectiva e não sujeita a relativismos.
Como diz o João, esta iniciativa que acusou a maioria de ser fascista e totalitária resultou em, apesar do seu duvidoso gosto, expor o regime que com a sua resposta validou a acusação.
Aqueles que exprimem o seu ultraje selectivo já não o fazem quando a maioria usa, como arma de arremesso, termos de semelhante força programática. Termos como fascistas, utilizado de forma recorrente no discurso do Presidente do Governo, ou colonialistas que invoca as mais vergonhosas concepções de separatismo racial, ou mesmo quando evoca a supremacia rácica do povo madeirense piscando o olho à eugenia nacional socialista.
Se vamos ser consistentes espero a partir de hoje uma condenação vigorosa desse género de retórica em relação a ambos os lados nesta questão.
Não há maneira de defender, de forma razoável, o atirar do proverbial bebé com a água do banho.
A discussão é infindável, meus caros. Cerca de 3 semanas após o incidente resolvi comentá-lo aqui no nosso espaço pois pode ser que agora já ninguém leia as minhas barabaridades. Pois muito bem, a atitude do deputado Coelho é, sem dúvida, chocante e quem se sente ofendido não tem nada que ficar a ver e deve utilizar todos os meios à sua disposição para se defender e contra-atacar. Eu próprio nunca teria ou aprovaria tal atitude. O problema do nosso "regime" é que nunca se tinha sentido ofendido. Apesar de todas as declarações e actos polémicos do regime/líder (confundem-se) nunca tinha aparecido alguém que o quisesse combater utilizando o seu próprio estilo. Portanto, o deputado do PND tem, por várias vezes, apresentado espelhos para que o monstro possa apreciar toda a sua fealdade. Como é óbvio, o monstro prefere partir o espelho do que ter de se olhar! O líder/regime veste hoje umas calças que amanhã, por acaso, servem ao governo do PS e é o primeiro a vilipendiar (adoro esta palavra!) as calças que, entretanto, recusa-se a despir! E o povo, cantando e rindo, junta os subsídios de Natal e as missas do parto e lá os vai elegendo. Quer queiramos quer não toda a gente vota no polvo! Por isso é que os tentáculos deste polvo vão comer a cabeça, porque é gordo e tem de ser alimentado e todos querem deixar de ser tentáculos para serem a cabeça! Acabe-se com a partidocracia, nesta terra e neste país, pois esta sufoca a democracia. Temos de contar com mais pessoas que não precisem ( nem nunca tenham precisado, pois há muitos que já comeram e se levantaram da mesa) da política para nada, que estejam lá para servir, não para se servir. São muito poucos e a maioria são alinhados com os regimes dos respectivos partidos, quer no poder quer na oposição.
Bem, lá se foi o tempo, tenho de ir buscar a Cíbel, mas não apago e publico o que escrevi, sem rever e mesmo inacabado. Cumprimentos democráticos a todos.
Elias
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