quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

One too many Oscars

Para o proletariado que não teve a oportunidade de ver os Óscares aqui fica o momento mais acutilante da cerimónia. É certo que tivemos uma abertura bastante sulfúrica por parte do Jon Stewart, suspeito que os guionistas tenham querido vingar-se da elite de Hollywood, uns Cohens bastante blasé com as suas estatuetas, europeus a ganharem todas as categorias de actores, um cientologista dançante e como sempre um Paul Thomas Anderson hostilizado. Mas nenhum destes momentos nos ensinou nada de novo. Para isso temos de aludir ao Oscar honorário, normalmente o climax emocional da noite - quem não se lembra do O'Toole o ano passado ou do Poitier há mais tempo - este ano atribuído ao cenógrafo veterano Robert F. Boyle.



Eu gosto tanto de momentos geriátricos como o próximo. O Sr. começa bem mas a certa altura algo desligou-se obrigando-o a agradecer à Nicole Kidman e a uma série de personagens certamente já defuntas; o homem tem 98 anos e menciona pessoas que o introduziram no mundo do cinema... é só fazer contas.

O que se aprende com isto tudo é que certos Oscares não precisam de ser emitidos; a partir dos 95 anos mandem-nos para casa. O público agradece.

2 comentários:

João Canning-Clode disse...

Nao sei ate que ponto posso concordar contigo. Deixa-lo ter os seus 5 minutos de fama e reconhecimento. Ha figuras que fizeram muito pelo cinema, se calhar ate mais do que muitos premiados, e que nunca sao ou serao reconhecidas, pelo simples facto de se encontrarem nos bastidores ou serem rotulados(as) de secundarios(as). Eu gostei muito de ver no ano passado o reconhecimendo da Academia no Grande Ennio Morricone!

Elias disse...

Tenho de dizer que nunca concordei com o oscar honorário. É uma espécie de prémio de consolação por nunca ter ganho... Mas a verdade é que a maior parte das pessoas que o receberam deixaram a sua marca no cinema, tendo, portanto GANHO e MERECIDO o direito de utilizar aquele tempo atrás do microfone, nem que seja para balbuciar as suas vagas memórias!