Parece estar a chegar ao fim mais um sombrio episódio de radicalismo divinamente inspirado com a libertação de Gillian Gibson, uma professora inglesa incompreensivelmente detida por ter-se ingenuamente atrevido a dar o nome de Maomé a um urso de peluche. Estou certo que existem inúmeros mamíferos falantes de carne e osso que desonram mais o nome em questão do que um pobre boneco inanimado. Muitos desses seres terão marchado nas ruas de Cartum, gritando alegremente pela atribuição da pena capital como resposta a tão insignificante delito. Qualquer hipótese que este estado falhado possa vir a ter no futuro estará também obrigatoriamente relacionada com a educação das suas camadas mais jovense e não deixa de ser preocupante verificar ou permitir que o fundamentalismo religioso, responsável pelo conflito que dura no Sudão há mais de 40 anos, decida agora também conspurcar as salas de aulas que se querem absolutamente seculares.
Não se deve pensar nestas situações como sendo exclusivamente terceiro-mundistas. Recentemente o governo holandês decidiu abandonar a protecção de Ayaan Hirsi Ali, necessária devido à sua participação no documentário Submission de Theo van Gogh – ele próprio assassinado em 2004. Os criminosos aproveitaram também a ocasião para lhe cravarem no peito ameaças contra a sua cúmplice Ayaan, obrigando-a a se mudar para os Estados Unidos apenas para lhe ser dito há um mês que governo holandês deixaria de suportar os custos financeiros que advêm da sua protecção pessoal. Muitos outros exemplos poderiam ser dados, sejam cartoons dinamarqueses ou fatwas contra escritores “hereges” como Rushdie, de barbaridades proferidas ou cometidas com motivações puramente religiosas.
Para não ser acusado de islamofobia devo referir outro caso tristemente caricato, se bem que bastante menos agressivo: o das infelizes declarações do Herr Ratzinger sobre os perniciosos efeitos que os livros do Harry Potter têm sobre as crianças, tendo chegado a acusar a autora de incentivar bruxaria. É certamente um momento mais humorístico e menos sério que os outos, mas continua a ser igualmente absurdo na sua intenção e intransigência dogmática.
"Men never commit evil so fully and joyfully as when they do it for religious convictions"
Blaise Pascal
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Um ursinho chamado Maomé
Publicada por lpnascimento em 1:34 AM
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Um comentário:
....pois é, mais vale mmo ser agnóstico, n é ?????...nem o Harry Potter escapa à tirania!!!
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