terça-feira, 16 de outubro de 2007

Sinais de alarme


Marques Mendes tem uma característica que hoje em dia se reveste de uma importância que, de certo modo, reflecte bem a pobreza de espírito do país: não é mediático.

Não aparece na imprensa cor-de-rosa, não faz jogging, não fuma brocas, não defende a adopção de crianças pelos casais homossexuais, não passa a vida a fazer intrigas no seu próprio partido, não dá conferências de imprensa à hora dos telejornais por tudo e por nada, não anda sempre bronzeado e de fatinho às riscas, não tem dentes imaculadamente brancos, não é alto e espadaúdo - ou melhor, não é alto - enfim, inúmeras falhas de gravidade, no mínimo, irreparável.

Era evidente para todos que a liderança do PSD tinha que mudar. É preciso alguém com mais sangue na guelra, que passe a mensagem do partido para o eleitorado de forma mais eficaz e cativante. Mendes nunca o conseguiu. Não apenas por culpa própria - que a tem - mas também, e sobretudo, porque nunca o deixaram. Estarei sozinho quando digo que Marques Mendes sofreu um boicote indecente e descarado por parte dos media, neste feudo socialista em que se tornou o nosso país?

Eu não sou um "mendista", seja lá isso o que for. E conseguiria apontar algumas tomadas de posição que, em meu entender, constituíram - elas sim - erros estratégicos importantes, quer na forma de fazer oposição a um governo que passa a vida a dar tiros no pé, quer no modo de gerir o equilíbrio de forças dentro do partido.

Não deixo, no entanto, de ficar estupefacto perante a ditadura da comunicação que se diz social. Nas redacções dos jornais e das televisões, manipuladas e terrivelmente manipuladoras, é que está - há muitos anos - o verdadeiro poder, e quem pensar o contrário está tremendamente enganado.

7 comentários:

João Canning-Clode disse...

Caro Tiago:

Acho estranho ninguém comentar a tua pertinente análise! Creio que Marques Mendes sempre foi e será um político com credibilidade e que estará na política com seriedade. Mas nunca poderá, quanto a mim ser mais do que um numero 2 ou ter um cargo ministral. Considero que lhe falta algo muito importante: carisma. Um bom líder tem que ter carisma para que o povo e militantes o sigam. Alguns cépticos irão perguntar-me se confundo carisma com "populismo". Ao que respondo perguntando: Não será o tão badalado "populismo" uma forma que os mais apagadinhos e pseudo-intelectuais encontraram, tentando camuflar as suas limitações, para rotular aqueles que realmente têm carisma?

Elias disse...

Pois é, minha gente, fala-se mais do Marques Mendes depois de ser do que quando era...
Quanto à questão dos media serem todo-poderosos, não há volta a dar. Todos nós somos da geração TV, sem dúvida o mais poderoso instrumento dos media, uma vez que, num determinado momento em que me sento no sofá e ligo a televisão, ou vejo o que eles querem ou não vejo nada. Já com os jornais, o caso é diferente, cada um lê o que mais lhe interessa, apesar de, mais uma vez, só lá aparecer o que eles decidem. Por isso é que televisão, para mim, só desporto e uma ou outra série. Como fonte informação talvez, mas nunca nos telejornais...Tiago, esta conversa dos media dava para muito mais, mas vieste reforçar a minha constatação da omnipotência de pessoas como o Ricardo Costa neste país. Como ele, outros existirão, tanto cá como no mundo inteiro, com certeza.
Quanto a se gostar mais deste ou daquele, na política tudo isso é treta, já todos sabem da minha opinião. Apenas considero que os políticos eleitos merecem respeito pelos lugares que ocupam, não por eles próprios. Considero que ser deputado na AR é (teoricamente) mais relevante para o país do que ser presidente de uma câmara. Esta é, para mim, a única vantagem que um tem sobre o outro. De resto, qual a diferença, para além daquelas de caracaca que já referiste no teu post, entre um e outro? Nunca ouvi falar da sua excelência enquanto profissionais das respectivas áreas de formação. Aliás, que valor demonstraram antes de chegar à política? Daí que sejam aquilo a que eu chamo de políticos profissionais, , o que os torna a todos iguais aos meus olhos. Mas que uns têm mais jeito para convencer, ai isso têm...
Abraços

lpnascimento disse...

Em defesa dos apagadinhos e dos pseudo-intelectuais devo dizer que carisma não é um bom barómetro de competência ou seriedade política. Concordemos que Hitler, Estaline, Peron, Chavez ou Ahmadinejad eram ou são homens com imenso carisma mas isso não desculpabiliza o resto. A sobrevalorização do carisma é um assunto bem desenvolvido por gente muito mais qualificada do que eu por isso abstenho-me de grandes considerações. Por outro lado, existem figuras extremamente importantes no cenário político que seriam, por falta de qualidades carismáticas, negligenciáveis como Jefferson, Licoln ou no caso portugês Cavaco - todos eles sem grandes competências oratórias e insípidos por natureza.

No entanto, a capacidade de liderar e de persuadir a audiência sobre a pertinência de certas medidas é um requisito à actividade política. Os meios de comunicação agem como intermediário na divulgação dessa informação mas são, eles próprios, diatados por apetites e agendas. Não vale a pena tentar a quadratura do circulo, it is what it is. O que merece, no entanto, algum esforço é a tentitativa de prever que políticos tentarão usar essa plataforma mediática de forma a subverter ainda mais a já viciada corrente de informação. E nestes casos - suspeito que Menezes seja um deles - um pouco de carisma pode levar a grandes problemas.

João Canning-Clode disse...

Ora viva meu caro Luís Pedro:

Talvez não me tenha expressado da forma mais correcta, ou não quiseste perceber o que quis dizer.
Eu não referi no meu anterior comentário que ter carisma era um "must" para um líder de um partido como o PSD. Considero sim que se trata de mais um complemento, algo que faltava a Marques Mendes.

Obviamente reconheço que Hitler, Estaline, Peron, Chavez ou Ahmadinejad eram e são líderes carismáticos. Seguindo essa linha de raciocínio também acho que o Quim Barreiros e o João Pedro Pais têm algum carisma dentro de um determinado espectro. Porém, a meu ver, falta-lhes outro(s) complemento(s).

Já agora pergunto: Gostavas de ver o Pacheco Pereira ou alguém do mesmo nível (será que há?) a liderar o PSD?

Que dircurso terás se a "ala populista" do PSD vencer Sócrates em 2009?

um abraço meu amigo

lpnascimento disse...

O Pacheco Pereira não é elegível. Não tem pretensões a sê-lo, e é nessa qualidade de não-candidatável que é capaz de produzir algumas considerações políticas de forma isenta. O partido nunca escolheria para seu líder alguém que não conseguisse ser eleito. Também gostaria de ver Ângelo Correia como presidente mas posso afirmar convictamente que isso não vai acontecer. Existem porém compromissos mais realizáveis: pessoas como Ferreira Leite ou António Mexia possuem o carisma suficiente tendo ao mesmo tempo credibilidade acumulada. Parecem-me opções mais realistas e desejáveis que as primeiras.

Manuel Almada Cardoso disse...

Meus amigos...discutir é muito bonito, agora estes raciocínios terão que ser balizados pela vontade popular. E a vontade popular social-democrata é só uma, muito clara e bem vincada: Luis Filipe Menezes! (40mil militantes votaram)

Agora pseudo-intlectuais auto-convencidos que moram num pedestal de moralidade, sem aptidão política
absolutamente nenhuma, virem minar um lider, do seu suposto partido, só porque tem os seus egos feridos, è na minha opinião absolutamente inacreditável.

Outro ponto intressante seria discutir o que na minha opinião é demais evidente: esses treinadores de bancaada possuem um desfasamento abisal com as ansias do ponvo portugues (e das bases do seu partido!) não tendo por isso, qualquer capital politico para aconselharem ninguém!

A verdade é só uma: a do Luis Filipe Mezes e mais nenhuma!

Tenho dito

Anônimo disse...

Meninos...como em tudo, na política é preciso bom senso e compromisso. Um político pode ter um potencial excelente, mas se não consegue comunicar o seu potencial ao povo que o elege, de nada lhe servirá. Ao passo que um muito carismático que não dê uma para a caixa invariávelmente cairá.

Por isso aquilo que faz um bom político é o compromisso entre uma boa estratégia de imagem e comunicação, e o potencial de um líder, com uma boa equipa a suportá-lo (sim porque one man shows não podem funcionar). Assim sendo não vos sei dizer se Menezes terá esse compromisso, mas a julgar por Gaia, ao menos saberá por quem se rodear..

A minha mãe que é uma pessoa que eu admiro nas questões de Gestão diz sempre...Eu não preciso de saber...preciso é de ter alguém na minha equipa que saiba!
Veja-se o Bush... Um atrasado mental, bem rodeado por algumas cabeças, e uma estratégia de comunicação que inclui até algumas censuras de informação, e lá está ele... É verdade que os Americanos não são exemplo de inteligência para ninguém...mas....

Beijocas